domingo, 24 de maio de 2015

Artigo de caráter científico em elaboração


Resumo

Na originalidade portuguesa do que foi e é a ordenação, ação e prática das “Santas Confrarias das Misericórdias” podemos considerar uma estrutura organizativa exemplar, no sentido de sua adaptação às épocas, porque a usura do tempo não desfez nem seus propósitos, nem sua dinâmica, nem sua fundamental estrutura organizativa. Procura-se identificar aqui esse molde organizacional das “Irmandades da Misericórdia”, que vigora desde as suas primitivas disposições. Assim, começamos pela análise do mais coevo documento encontrado, o «Livro de todallas liberdades da sancta confraria da misericordia de coimbra», uma cópia de 1500 do compromisso original.

Abstract

When analysing the very Portuguese idiosyncrasy which are the order, activity and practices of the “Santas Confrarias das Misericórdias”, we can consider their exemplary organisational structure in relation to their adaptation to different eras; because the passage of time has done nothing to make obsolete their purpose, dynamism or basic organisational structure. We aim to identify the organisational mould of the “Irmandades da Misericórdia”, in force since their earliest incarnation. We therefore begin by analysing the most coeval document found, “Livro de todallas liberdades da sancta confraria da misericordia de coimbra” (Book of all the freedoms of the Holy Order of Mercy of Coimbra), a book dating back to 1500 stating the original mission.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Teorema: A quantidade de talentos e de metros cúbicos de massa encefálica exercitada estão diretamente relacionados com o impacto produzido

James Burnham
«(...) Keynes não só pensava sobre a economia mundial, mas também participava nas grandes decisões. Fez parte, em 1944, da delegação britânica à conferência de Bretton Woods, que definiu as regras para as relações comerciais e financeiras no mundo capitalista, criando o BIRD (que daria origem ao Banco Mundial) e o FMI. Dois anos antes, o filósofo e politólogo americano James Burnham escreveu um livro que se tornaria um best-seller mundial - A Revolução Gerencial - onde verifica a mudança de paradigma do poder no mundo. Para ele, o nazismo, o comunismo e o capitalismo do New Deal têm a mesma natureza política: quem decide e domina é uma nova classe, emergente depois da Grande Depressão, constituída pelos executivos, os "managers". Ele previu, em 1942, em plena guerra mundial, este novo sistema de poder, que vigoraria de facto até, pelo menos, aos anos 1970 e à crise do petróleo. Na crise de hoje, diz Carlos Gaspar, não temos pensadores de craveira semelhante. O que torna, desta vez, muito mais difícil prever o que vai acontecer a seguir.»

                                                                      Paulo Moura in Público

segunda-feira, 18 de maio de 2015

...meu tão certo secretário


Vinde cá, meu tão certo secretário
dos queixumes que sempre ando fazendo,
papel, com que a pena desafogo!
As sem-razões digamos que, vivendo,
me faz o inexorável e contrário
Destino, surdo a lágrimas e a rogo.
Deitemos água pouca em muito fogo;
acenda-se com gritos um tormento
que a todas as memórias seja estranho.
Digamos mal tamanho
a Deus, ao mundo, à gente e, enfim, ao vento,
a quem já muitas vezes o contei,
tanto debalde como o conto agora;
mas, já que para errores fui nascido,
vir este a ser um deles não duvido.
Que, pois já de acertar estou tão fora,
não me culpem também, se nisto errei.
Sequer este refúgio só terei:
falar e errar sem culpa, livremente.
Triste quem de tão pouco está contente!
Já me desenganei que de queixar-me
não se alcança remédio; mas, quem pena,
forçado lhe é gritar, se a dor é grande.
Gritarei; mas é débil e pequena
a voz para poder desabafar-me,
porque nem com gritar a dor se abrande.
Quem me dará sequer que fora mande
lágrimas e suspiros infinitos
iguais ao mal que dentro n'alma mora?
Mas quem pode algu'hora
medir o mal com lágrimas ou gritos?
Enfim, direi aquilo que me ensinam
a ira, a mágoa, e delas a lembrança,
que é outra dor por si, mais dura e firme.
Chegai, desesperados, para ouvir-me,
e fujam os que vivem de esperança
ou aqueles que nela se imaginam,
porque Amor e Fortuna determinam
de lhe darem poder para entenderem,
à medida dos males que tiverem.
(Quando vim da materna sepultura
de novo ao mundo, logo me fizeram
Estrelas infelices obrigado;
com ter livre alvedrio, mo não deram,
que eu conheci mil vezes na ventura
o milhor, e pior segui, forçado.
E, para que o tormento conformado
me dessem com a idade, quando abrisse
inda minino, os olhos, brandamente,
mandam que, diligente,
um Minino sem olhos me ferisse.
As lágrimas da infância já manavam
com üa saudade namorada;
o som dos gritos, que no berço dava,
já como de suspiros me soava.
Co a idade e Fado estava concertado;
porque quando, por caso, me embalavam,
se versos de Amor tristes me cantavam,
logo m'adormecia a natureza,
que tão conforme estava co a tristeza.)
Foi minha ama ua fera, que o destino
não quis que mulher fosse a que tivesse
tal nome para mim; nem a haveria.
Assi criado fui, porque bebesse
o veneno amoroso, de minino,
que na maior idade beberia,
e, por costume, não me mataria.
Logo então vi a imagem e semelhança
daquela humana fera tão fermosa,
suave e venenosa,
que me criou aos peitos da esperança;
de que eu vi despois o original,
que de todos os grandes desatinos
faz a culpa soberba e soberana.
Parece-me que tinha forma humana,
mas cintilava espíritos divinos.
Um meneio e presença tinha tal
que se vangloriava todo o mal
na vista dela; a sombra, co a viveza,
excedia o poder da Natureza.
Que género tão novo de tormento
teve Amor, que não fosse, não somente
provado em mim, mas todo executado?
Implacáveis durezas, que o fervente
desejo, que dá força ao pensamento,
tinham de seu propósito abalado,
e de se ver, corrido e injuriado; a
qui, sombras fantásticas, trazidas
de algüas temerárias esperanças;
as bem-aventuranças
nelas também pintadas e fingidas;
mas a dor do desprezo recebido,
que a fantasia me desatinava,
estes enganos punha em desconcerto;
aqui, o adevinhar e o ter por certo
que era verdade quanto adevinhava,
e logo o desdizer-me, de corrido;
dar às cousas que via outro sentido,
e para tudo, enfim, buscar razões;
mas eram muitas mais as sem-razões.
Não sei como sabia estar roubando
cos raios as entranhas, que fugiam
por ela, pelos olhos sutilmente!
Pouco a pouco invencíveis me saiam,
bem como do véu húmido exalando
está o sutil humor o Sol ardente.
Enfim, o gesto puro e transparente,
para quem fica baixo e sem valia
este nome de belo e de fermoso;
o doce e piadoso
mover de olhos, que as almas suspendia
foram as ervas mágicas, que o Céu
me fez beber; as quais, por longos anos,
noutro ser me tiveram transformado,
e tão contente de me ver trocado
que as mágoas enganava cos enganos;
e diante dos olhos punha o véu
que me encobrisse o mal, que assi creceu,
como quem com afagos se criava
daquele para quem crecido estava].
Pois quem pode pintar a vida ausente, c
om um descontentar-me quanto via,
e aquele estar tão longe donde estava,
o falar, sem saber o que dezia,
andar, sem ver por onde, e juntamente
suspirar sem saber que suspirava?
Pois quando aquele mal me atormentava
e aquela dor que das tartáreas águas
saiu ao mundo, e mais que todas dói,
que tantas vezes sói
duas iras tornar em brandas mágoas;
agora, co furor da mágoa irado,
querer e não querer deixar de amar,
e mudar noutra parte por vingança
o desejo privado de esperança,
que tão mal se podia já mudar;
agora, a saudade do passado
tormento, puro, doce e magoado,
fazia converter estes furores
em magoadas lágrimas de amores.
Que desculpas comigo que buscava
quando o suave Amor me não sofria
culpa na cousa amada, e tão amada!
enfim, eram remédios que fingia
o medo do tormento que ensinava
a vida a sustentar-se, de enganada.
Nisto ua parte dela foi passada,
na qual se tive algum contentamento
breve, imperfeito, tímido, indecente,
não foi senão semente
de longo e amaríssimo tormento.
Este curso contino de tristeza,
estes passos tão vãmente espalhados,
me foram apagando o ardente gosto,
que tão de siso n'alma tinha posto,
daqueles pensamentos namorados
em que eu criei a tenta natureza,
que do longo costume da aspereza,
contra quem força humana não resiste,
se converteu no gosto de ser triste.
Dest'arte a vida noutra fui trocando;
eu não, mas o destino fero, irado,
que eu ainda assi por outra não trocara.
Fez-me deixar o pátrio ninho amado,
passando o longo mar, que ameaçando
tantas vezes me esteve a vida cara.
Agora, exprimentando a fúria rara
de Marte, que cos olhos quis que logo
visse e tocasse o acerbo fruto seu
(e neste escudo meu
a pintura verão do infesto fogo);
agora, peregrino vago e errante,
vendo nações, linguages e costumes,
Céus vários, qualidades diferentes,
só por seguir com passos diligentes
a ti, Fortuna injusta, que consumes
as idades, levando-lhe diante
üa esperança em vista de diamante,
mas quando das mãos cai se conhece
que é frágil vidro aquilo que aparece.
A piadade humana me faltava,
a gente amiga já contrária via,
no primeiro perigo; e no segundo,
terra em que pôr os pés me falecia,
ar para respirar se me negava,
e faltavam-me, enfim, o tempo e o mundo.
Que segredo tão árduo e tão profundo:
nascer para viver, e para a vida
faltar-me quanto o mundo tem para ela!
E não poder perdê-la,
estando tantas vezes já perdida!
Enfim, não houve transe de fortuna,
nem perigos, nem casos duvidosos,
injustiças daqueles, que o confuso
regimento do mundo, antigo abuso,
faz sobre os outros homens poderosos,
que eu não passasse, atado à grã coluna
do sofrimento meu, que a importuna
perseguição de males em pedaços
mil vezes fez, à força de seus braços.
Não conto tantos males como aquele
que, despois da tormenta procelosa,
os casos dela conta em porto ledo;
que ainda agora a Fortuna flutuosa
a tamanhas misérias me compele,
que de dar um só passo tenho medo.
Já de mal que me venha não me arredo,
nem bem que me faleça já pretendo,
que para mim não val astúcia humana;
de força soberana,
la Providência, enfim, divina pendo.
Isto que cuido e vejo, às vezes tomo
para consolação de tantos danos.
Mas a fraqueza humana, quando lança
os olhos no que corre, e não alcança
senão memória dos passados anos,
as águas que então bebo, e o pão que como,
lágrimas tristes são, que eu nunca domo
senão com fabricar na fantasia
fantásticas pinturas de alegria.
Que se possível fosse, que tornasse
o tempo para trás, como a memória,
pelos vestígios da primeira idade,
e de novo tecendo a antiga história
de meus doces errores, me levasse
pelas flores que vi da mocidade;
e a lembrança da longa saudade
então fosse maior contentamento,
vendo a conversação leda e suave,
onde üa e outra chave esteve
de meu novo pensamento,
os campos, as passadas, os sinais,
a fermosura, os olhos, a brandura,
a graça, a mansidão, a cortesia,
a sincera amizade, que desvia
toda a baixa tenção, terrena, impura,
como a qual outra algüa não vi mais...
Ah! vês memórias, onde me levais
o fraco coração, que ainda não posso
domar este tão vão desejo vosso?
Nô mais, Canção, nô mais; que irei falando,
sem o sentir, mil anos. E se acaso
te culparem de larga e de pesada,
não pode ser (lhe dize) limitada
a água do mar em tão pequeno vaso.
Nem eu delicadezas vou cantando
co gosto do louvor, mas explicando
puras verdades já por mim passadas.
Oxalá foram fábulas sonhadas!



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Anotações na perspetiva histórica

«A humanidade não é um dado concreto imediato, como o são as espécies animais. É uma conquista dos seres humanos que participam no processo e na aventura de ser no tempo e nas comunidades. A modernização gerou as princiais dinâmicas do mundo contemporâneo, mas não tem por que comportar a ideia radical da contenda e da rutura com o passado. Aliás, a maior parte das nossas instituições, de assistência social, democráticas, de ensino e ciência, de saúde, de cultura, ou foram fundadas durante monarquia constitucional ou assentam naquelas fundações. Assim a Constituição, o Parlamento, a Democracia, as Escolas públicas, básicas, secundárias ou superiores, os Tribunais, as Misericórdias, os Hospitais, os Teatros, mas também o ensino obrigatório, as estradas, o telégrafo, os comboios, a luz eléctrica, a livre expressão e a circulação de ideias, são acolhimentos e promoções de uma monarquia actuante e acolhedora ao sentido do desenvolvimento social, traço que sempre pode confirmar-se pelas instituições criadas no antigo como no novo regime, antes e a partir de 1822, em consonância com as inquietações de época e com as dinâmicas europeias
A introdução de novas técnicas, produções, saberes, a alteração relativa a estilos de vida com melhor saúde, higiene e projectos de vida em aberto, a mobilidade social, o aumento da literacia, são produtos da acção humana, nomeadamente orientadas a partir das instituições políticas, não são uma inevitabilidade. As ideologias que cindem o passado do futuro serviram de suporte a uma abordagem revolucionária que muitos e maus frutos deu, em sofrimento e perda de vidas humanas. A tentação de reduzir a complexidade da nossa vivência social a uma equação simples sempre produziu mais males que benefícios. Ao ganharmos perspetiva histórica sabemos que, se as épocas fazem prescrever, renovar ou criar diferentes entendimentos, a natureza humana não mudou muito nos últimos 2500 anos. »

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Interessante conferência em Lisboa


A Real Associação de Lisboa promove neste próximo Sábado, 23 de Maio, pelas 15:00, uma conferência: "Comunicar a Monarquia". Reunirá no Altis Grand Hotel (Rua Castilho, 11 - 1269-072 Lisboa) um painel de especialistas composto por Raquel Abecassis (Jornalista da Rádio Renascença), João Palmeiro (Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa) e Rodrigo Moita de Deus (Consultor de Comunicação).

Com os nossos melhores cumprimentos,

A DirecçãoReal Associação de Lisboa
Praça Luís de Camões, 46 2° Dto
1200-243 Lisboa
http://www.reallisboa.pt
https://www.facebook.com/RealAssociacaoLisboa
https://twitter.com/#!/Real_Lisboa
http://pt.linkedin.com/in/reallisboa
Tlf.: (+351) 21 342 81 15

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A Chefia de Estado


Ao mesmo tempo que anda deslumbrada com as candidaturas presidenciais que se acotovelam na ilusão de representarem os portugueses, a nossa comunicação social republicana não resiste ao charme das monarquias desde que sejam longe e da realeza desde que seja estrangeira. Esta é a explicação que encontro para a larga cobertura dada este fim-de-semana ao nascimento da princesa filha dos duques de Cambridge, numa demonstração de patriotismo do avesso.
A esse propósito, no que diz respeito à perspectiva estritamente política, nunca é de mais relembrar que a chefia hereditária do Estado, que maioritariamente subsiste legitimada pela história nos países europeus mais desenvolvidos, é um factor de equilíbrio e de religação nacional, último reduto da unidade identitária e dos valores perenes do ideal comum, sempre ameaçados pela legítima mecânica democrática, cujo exercício por natureza exacerba a luta faccionaria que compele à desagregação. Um símbolo maior, espelho da comunidade de afectos que é Portugal. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Em leitura


Dona Clóris - «(...) as suas finezas, por encarecidas, perdem a estimação de verdadeiras; que quem tem a língua tão solta para os encarecimentos terá presa a vontade para os extremos.»

António José da Silva, Guerras do Alecrim e Manjerona, Parte I, Cena IV

domingo, 10 de maio de 2015

ExCertos



«Portugal precisa de um chefe de Estado independente e que represente com inabalável legitimidade histórica cada um de nós e o que somos enquanto povo.»

João Távora, presidente da Real Associação de Lisboa e editor do “Correio Real”

Está pelo seu país e pelo seu povo (não está por conta própria, não está para enriquecer ou por carreirismo)

“Lembro-me de Tony Blair dizer que as reuniões para as quais ele se preparava melhor e também as mais ricas eram as que tinha com a rainha de Inglaterra.” O que faz ela? Ouve, responde e faz perguntas e nada mais do que isso: “Mas o acervo é de tal maneira rico e advém não só da sua experiência dos últimos 60 anos, mas também da sua própria posição, que é politicamente isenta, falando tanto com trabalhistas, sociais-democratas, liberais. Não está por conta própria, não está para enriquecer, por carreirismo. Está pelo seu país e pelo seu povo”.
Luís Lavradio in Jornal I

sábado, 9 de maio de 2015

No Mar em que de Novo Amor me Guia


  (...)

Valha-me navegar meu pensamento
Com tal estrela, cuja formosura
Abranda o duro mar de meu tormento

Fernão Rodrigues Lobo Soropita

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Em leitura





Semicúpio: «(...) encobres olho e meio, para matares gente de meio olho! Escusados são esses esconderelos, pois pela unha desse melindre conheço o leão dessa cara.»

in António José da Silva (outro desgraçado poeta da língua portuguesa), Guerras do Alecrim e Mangerona, Seara Nova Editorial Comunicação, 1980 (1737), Apresentação crítica, notas, glossário e sugestões para análise literária de Maria de Lourdes A. Ferraz

Mar




Do grande mar do meu tormento antigo,
Como aurora d’amor sai a esperança,
Vestida já da luz que de si lança
O sol que eu sempre temo e sempre sigo.

Ao seu aparecer foge o perigo;
Aonde quer que a claridade alcança,
Rompe o véu negro da desconfiança
Que juntamente aprovo e contradigo.

Mas o secreto d’alma, inda toldado
Das nuvens negras com que antigamente
A cercou por mil partes meu cuidado,

Se a luz de tanta glória inda não sente,
São efeitos cruéis do mal passado
Que lhe não deixam ver o bem presente.


Fernão Rodrigues Soropita

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Monarquistas



Sabedoria (e ciência)



Imagens de Portugal


Casa branca e larga,
Desenhado passeio e árvore,
Horta, fonte de avencas,
Fresco amor de laranja,
Longa tarde infinita,
Minha noite rutilante,
Portugal meu feliz regaço
Variado jardim plantado,
A cultivar e a guardar,
Pomar sonoro e doce,

Mar azul, meu sono eterno.