quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Que regime queremos?


“Queremos um [regime] dramaticamente diferente: mais representativo, mais democrata e, que no cume desse regime, dessa estrutura política, esteja uma instituição que defende de uma forma independente e isenta, legitimada de uma forma diferente do próprio governo. Com estas características só mesmo a instituição monárquica. É o símbolo unitário da nação e que a representa de uma forma completamente diferente da posição de um chefe de Estado eleito: A nossa posição monárquica nada tem a ver com Cortes.” 

Luís Lavradio (da entrevista ao Jornal I)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Frases


«The moral maths of my character would it to prevent me of commit a murder even in the most illiterate states»

S.Holmes, Elementary, Episódio16, 3ª Série, 07m00s-07m06s

Arte afro-lusa em marfim

«This saltcellar is both an extraordinary example of skilled workmanship and an artifact that epitomizes a singularly important convergence of cultures. In the second half of the fifteenth century, Portuguese explorers and traders were impressed by the considerable talent of ivory carvers they encountered along the coast of West Africa.» in Net Museum

sábado, 1 de agosto de 2015

Mar na poesia portuguesa



(...) Eis manso e manso as nuvens se entumecem,
           Eis o líquido pêso
Rompe os enormes carregados bôjos,
Em torrentes sussurra e cai na terra.
Rebentam furacões, flamejam raios,
O estrondoso trovão no céu rebraa,
O Helesponto nas rochas ferve e ronca.
(...) Debalde o mar bramindo, o céu troando
           Teu ímpeto ameaçam: 
Ardem-te na alma os sôfregos desejos.
Fulgurante ilusão, dourando as trevas (...)
Nisto a procela horríssona recresce,
Tingem sombras do inferno os véus da noite
            Que o relâmpago retalha:
Braveja o mar, aos astros se remontam
Serras e serras da fervente espua;
Carrancudos tufões arrebatados
Dobrando a força, a raiva, lutam, berram
E revolvem do pélago as entranhas;
Rochedo imóvel, aferrado à terra
Rebate apenas o horroroso assalto. 
(...)


Manuel Maria Barbosa Bocage, Cantata de Hero a Leandro

Artigo Publicado no DN digital (Jornalismo do Cidadão)

Os mesmos atos não trarão resultado diferente


 Antes de ser esta uma crise financeira e económica, estamos ainda mais profundamente inseridos numa crise da sociedade em que vivemos e da política que praticamos. Importa explicitar com clareza que se encontram, perante as gerações presentes, opções políticas fundamentais. Todos convergimos que o problema fundamental, que nos tem preocupado a todos, é político.

É necessária uma democracia aprofundada, eficaz e credível, no que se refere à representação da nossa unidade histórica, no que se refere à construção de mais alternativas e de mais consensos e no que se refere ao pensamento estratégico (proporcionando a constante abertura de oportunidades de realização social, ambiental e económica).

Quando a economia tem um crescimento insuficiente e não gera perspetivas de desenvolvimento económico, social e humano ou, dito de outro modo, quando as pessoas não têm oportunidade de trabalhar de modo a constituir família, quando dificilmente estão garantidos recursos necessários às políticas sociais, quando já não há motivação que mobilize vontades, quando a evidência dos factos contradiz as expetativas, quando em vez de emergirem alternativas renovadoras o fatalismo é imposto pela inevitabilidade, então instala-se uma séria crise política, mais profunda e mais grave do que todas as outras.



Requer-se, pois, uma acentuada descontinuidade. Se continuarmos a elaborar pelos mesmos modos não poderemos esperar um resultado diferente. A regressão da qualidade de vida e a depressão social, motivadas pela diferença entre as expetativas de há algum tempo e a situação presente, devem-se sobretudo a condições institucionais que asseguram tais resultados. Para exemplificar o dito leiam-se as recomendações apresentadas ao Banco de Portugal pela Comissão de Avaliação às Decisões e à Atuação do Banco de Portugal na Supervisão do BES SA difundidas no passado dia 4 de Junho.

Estamos coletivamente conscientes de que os recentes problemas se deveram à história recente não aprendida. Refiro-me ao período ainda anterior a 2008. Outros já haviam sofrido os efeitos do crédito fácil e das contas de sumir, como o leste asiático no final da década de 90. Arrumar as finanças, restringir o crédito, transparência nas contas e nos subsídios a atribuir foi então, como sempre será, o remédio para essas, digamos, euforias.

Obviamente, depois da época da dívida vem a época de contenção e, em meio de um processo de contenção não se pode prometer um futuro radioso. Caso contrário, seria ainda mais difícil travar adequadamente a despesa. Todavia, se tem havido reformas, elas não contêm ainda nem o ajuste institucional para que sejam verdadeiramente estruturais, nem tão pouco há oportunidade de participarmos na mudança para a qualidade de vida, não apenas porque o consumo - em quantidade - sofreu uma brusca retração, mas devido à necessidade efetiva e acentuada de mudança cultural.

Estamos, pois, num período que apela a uma profunda inovação. Estamos numa época de transição, para uma sociedade e uma economia diferentes, mas ainda sem um modo político e consoante com as aprendizagens feitas. E sem uma mudança vigorosa na nossa democracia, nada mais poderemos alcançar. Ficará o futuro condenado a ser uma repetição do que tem sido.

Vivemos em sociedades abertas, interdependentes, pluralistas e complexas, onde a previsibilidade é menor. Mas, além disto, se esta variada confluência cultural contribui para diminuir a pertença comunitária, então à democracia interessa a reestruturação necessária para coincidir nesta nova realidade.


Se as instituições entram em conflitos irreparáveis, então apresenta-se-nos um vazio de onde tem emergido descontentamento, descrédito e abstenção. Assim sendo, a forma democrática requer uma alteração de modo a que a representatividade nacional, e especialmente a representação do todo nacional, se reveja numa cultura democrática pluralista e numa instituição suficientemente abrangente, independente economicamente e independente das oscilações partidárias.
 
 

Não existindo, felizmente, lugar nesta complexa sociedade contemporânea para uma hegemonia de algum grupo social, a Instituição Real é, para a maior multiplicidade social e cultural, a melhor coesão. Entendo que as grandes transformações são aquelas que operam por incorporação e não por exclusão. A estas gerações presentes no início do século XXI caber-lhes-á a importante decisão sobre o modo político que representa Portugal como um todo, que mais garantias tem dado de desenvolvimento humano e de equilíbrio de poderes, pois é uma mesa permanente de conversação, a voz do consenso democrático e dos objetivos comuns à democracia. Grandes transformações procedem por incorporação e não por exclusão.

Pedro Furtado Correia

pmmsfc@gmail.com
 
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/jornalismocidadao.aspx


Selos que o tempo não devora

Selo constante na doação de Tomar aos Templários por D. Afonso Henriques




domingo, 26 de julho de 2015

Diagnóstico Educação: A primazia do FAZER além do CONVIVER, do SABER e do SER



«(...) mais diferença há da obra à voz que da voz à escritura.» 



«(...) mais excelência era a obra que a escritura, tomamos esta parte de costume e não dela.»

João de Barros, Ropica Pnefma



sábado, 25 de julho de 2015

ExCertos


«Perante uma realidade iníqua há um valor moral em tentar criar outra realidade (...). Se há coisa que a história mostra é que vale a pena.» JPP 

Livros

Charles de Gaulle: le rebelle, le monarque et le visionnaire.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O poder dos números





The power of numbers lies in their ability to fill the strategic void created by pluralism. Though contested, numbers come to acquire and provide authority in organizations where power is diffuse. This is most likely when the number systems enable the reconciliation of diverse values and interests and supports the legitimacy of their promoters as disinterested advocates for the collective good.

Adapt. de Jean-Louis Denis, Ann  Langley, Linda Rouleau, «The Power of numbers in Strategizing» @ B-on

sábado, 18 de julho de 2015

Pluralismo

«- Mas de facto, há aqui uma fusão de substâncias, que formam um todo delicioso.
 - É o gosto do cravo, da pimenta, do açafrão, da salsa, do alho; é tudo isto e não é nada disto (...).
 -É um verdadeiro sistema constitucional! (...): - O absolutismo, a predominância de um elemento único é   sempre mau em molhos, como em política.»

                                          Júlio Dinis, Serões na Província

terça-feira, 14 de julho de 2015

ExCertos

«Conta-se que o rei Humberto da Itália, que estava por Portugal no exílio graças à ascenção de Mussolini, terá comentado: “é preciso pôr uma faixa de cor nas raparigas que levam o tabuleiro, senão o cortejo não deslumbra”. E foi assim que surgiu a faixa de cor, complementada com a gravata do rapaz da mesma cor, na Festa desenhada por João Santos Simões em 1950, desenho esse que se mantém inalterado hoje em dia.» in Mirante

Estamos coletivamente conscientes que os recentes problemas devem-se à história recente não aprendida

Estamos coletivamente conscientes que os recentes problemas devem-se à história recente não aprendida. Refiro-me ao período ainda anterior a 2008. Outros já haviam sofrido os efeitos do crédito fácil e das contas de sumir, como o leste asiático no final da década de 90. Arrumar as finanças, restringir o crédito, transparência nas contas e nos subsídios a atribuir foi então, como sempre será, o remédio para essas, digamos, euforias. Obviamente, à época da dívida vem a época de contenção e, em meio de um processo de contenção não se pode prometer um futuro radioso, caso contrário, seria ainda mais difícil travar adequadamente essa despesa. Todavia, se têm havido reformas, elas não contêm ainda nem o ajuste institucional para que sejam verdadeiramente estruturais, nem tampouco há oportunidade de participarmos na mudança para a qualidade de vida, não apenas porque o consumo, a quantidade, sofreu uma brusca retração, mas devido à necessidade efetiva e acentuada de mudança cultural. Estamos, pois, num período que apela a uma profunda inovação. Estamos numa época de transição, para uma sociedade e uma economia diferentes, mas ainda sem um modo político e consoante com as aprendizagens havidas. E, sem uma mudança vigorosa na nossa democracia, nada mais poderemos alcançar. Ficará o futuro condenado a ser uma repetição do que tem sido.

Palavras Duras

 
«Será que os nossos eminentes governantes europeus não sabem que poucas coisas são tão perigosas para a paz como a humilhação?

E que se pensam, como os nossos alegres patetas que embandeiram em arco com o que se está a passar, que o que estão a humilhar é o Syriza estão bem enganados. São os gregos e é a Grécia. 

Somos nós, Portugal.» JPP
                                          

domingo, 12 de julho de 2015

Estação

Creoula

As vellas deu ao vento, & com fortuna
Favoravel, & fado sempre amigo,
Polo salgado Reino vai passando
Em prolixo caminho, varios climas.
Recébeo com prazer o grande Oceano:
Com sembrante benivolo, & amoroso,
Levanta os fortes braços, & as inchadas
Ondas aplaca, & torna hum mar sereno,
Humilde, manso, alegre, & sem perigo.
Vai Zefiro & Eavonio brandamente
As vellas assoprando, & as marinhas
Bellissimas Nereidas com muy doces,
E suavissimas vozes vão chamando
O nome de immortaes louvores digno.

Sucesso do Segundo Cerco de Diu (excerto), Canto XXI, 1574

sábado, 11 de julho de 2015

Controvérsias

1





 O indicador da OCDE recuou para Portugal, mas também para Alemanha, sugerindo que as economias estão a abrandar o seu ritmo de crescimento. O indicador compósito avançado da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), concebido para antecipar em seis a nove meses pontos de viragem na actividade económica em relação à tendência, recuou pelo segundo mês consecutivo para Portugal.
                                       




sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ca(u)sa Comum

A visionar AQUI


Artes

Entrevista a Marco Scarassatti* 

AG: Como encaras o binómio arte sonora/música enquanto instrumento de abordagem à tua prática artística?
Marco Scarassatti: De um lado eu gosto de falar que a Música é meu modo de estar no mundo, de perceber, fruir, pensar o mundo, é meu modo de agir e elaborar conceitos. Por outro lado, creio que meu trabalho se insere muito mais num conceito de Arte Sonora do que propriamente de Música, isso se pensarmos ela de forma estrita, da forma como essa produção sociocultural humana se consolidou ao longo de sua história. Entretanto, ao se considerar o quanto o fazer musical se expandiu, principalmente após a segunda metade do século XX, creio ser mais oportuno pensar hoje em Arte Sonora, Arte do Sons ou mesmo Sônica, ainda que a «posse» desse território, no primeiro caso, esteja muito mais sob o domínio dos artistas visuais que apreenderam o conteúdo material, conceitual e plástico do universo musical. É como se o conceito Música não comportasse mais as práticas que podem se considerar música.
Eu entendo que haja uma discussão sobre a natureza que distingue esses campos, mas eu prefiro pensar que a Arte Sonora emerge mesmo é como conceito e a partir de um processo de expansão de sistemas artísticos que se consolidaram historicamente com suas práticas sociais, estéticas, poéticas e políticas: as Artes Visuais e a Música. E por ter uma natureza de borda, a Arte Sonora permite uma dupla adesão a esses dois sistemas. Como conceito, considero-a mais inclusiva, inclui a própria Música e as Artes Visuais. É como a ideia da pele que interliga os nossos sentidos de contato com o mundo. Mesmo essa pele tem duas faces, uma que é tocada pelo mundo no qual estamos submersos, outra que é tocada por aquilo que internamente nos constitui. Nós nos constituímos como ser nessa passagem entre o interno e o externo e nos percebemos como ser no mundo, a partir dos nossos sentidos interligados.
E a abrangência do fazer musical, desde o que o senso comum conhece como música, passando pela relação de inserção e contágio desta com o visual, o contrato audiovisual e, por conseguinte, a utilização sistemática do ruído, música concreta e eletrônica, a música eletroacústica, a aproximação da música às demais linguagens e expressões, a paisagem sonora, o desenho de som no cinema, a música pop e sua apropriação, colagem e deformação pelos DJs, a radioarte, as esculturas sonoras, o circuit bending, música para celular, a criação de ambientes e instalações sonoras, os happenings, performances e ação política de intervenção sonora em espaços públicos; todas essas manifestações retratam a paleta de atuação artesanal, poética e conceitual daqueles que intencionam fazer do som seu veículo de expressão, filtro da realidade, leitura de mundo.
De alguma forma sempre me interessou na Música aquilo que não era música, aquilo que estava do outro lado da borda e que me obrigava a atravessar. A relação com o espaço físico, com a forma plástica, com o conceito; me interessa os sons indesejados na produção dos sons desejados, o instante de tempo que antecipa a música, que firma o acordo de separação entre o ordinário e o extraordinário. O som como gerador da forma e a forma como geradora do som.
AG: Para quem desconhece a tua prática sonora, poderias falar um pouco sobre os diferentes projectos em que estás ou estiveste envolvido?
MS: Eu sou formado em composição musical e, no conjunto, a minha busca está na construção poético-política de espaços sonoros, sejam eles miniaturizados, ambientais, territoriais, performativos ou simulados.
Uma parte importante nessa busca é tentar representar as sonoridades através de uma forma plástica e ao mesmo tempo dar a essa forma a possibilidade do som musical que a completa como estrutura. Tento compor essas estruturas com fragmentos de objetos encontrados, que contêm em si um som cristalizado em forma. Fora do contexto inicial, vinculado ao objeto, instrumento, conceito inicial do qual ele é proveniente, este fragmento abre-se na possibilidade de se juntar a outros fragmentos, outros objetos e, a partir daí, compor com eles uma forma complexa, composta por um aglutinado de pequenos símbolos que se desdobram em potência latente para uma sonoridade resultante. A esse aglutinado simbólico dou o nome de Emblema Sonoro.
O Emblema Sonoro, nesse caso, tenta ser uma composição musical em forma plástica, também sonora, literária, ou ainda uma tentativa de construção poética de um campo espacial pelas sonoridades relacionadas a objetos, imagens, textos, conceitos e histórias. Aglutinações simbólicas em formas plástica e sonora das memórias recolhidas em um percurso, que é o da criação dele próprio.
Não sou um Luthier, eu penso estar compondo quando construo formas sonoras. Particularmente procuro não afinar meus instrumentos seguindo qualquer padrão, tampouco repito as afinações, me interessa o desafio da afinação do grupo, não no sentido das afinações dos instrumentos em particular, mas na singularização dos instrumentos/performers e sua interação com o coletivo. Intervalo é território e cada instrumento inventado circunscreve o seu próprio território em cada situação na qual ele é empregado.
Nesse sentido tenho feito esse trabalho de construção de dispositivos musicais, que me ajudam a pensar sobre a música e sobre a improvisação. Vou destacar alguns aqui:
1) Tubal Cretino e o Flugel Sax Sretino: o primeiro tem uma história mais extensa, guardei durante anos a mangueira e o chuveirinho do banheiro da minha bisavó, queria fazer um instrumento da família dos cretinos do Smetak. Quase vinte anos depois, encontrei uma campana de um instrumento de sopro e a juntei a um tambor de um maculelê. Ele atravessou esses quase 20 anos até que ficasse pronto, aguardando a chegada de cada uma de suas partes. Já o Flugel Sax Cretino é feito de uma mangueira de jardim, uma campana de flugel e uma boquilha de sax alto. Fi-lo em 2013.
2) Tzim Tzum (2005), esse é um instrumento que também foi se transformando até chegar à forma atual. Em 2002, fiz uma escultura sonora para deixar na escola onde eu dava aulas, procurei no ferro velho as peças e criei a forma. Ela não durou muito; então peguei as rodas que compunham o objeto e fixei-as num eixo, dei o nome em princípio de Vórtice. Depois, com os estudos sobre a Cabala, em particular o mito de criação do universo, me deparei com o drama cósmico «tzim tzum», em que o criador tem de fazer um movimento de retração para poder criar espaço e consequentemente gerar a vida. Esse drama é representado por círculos concêntricos. Dessa forma, criei um emblema sonoro representando o drama e utilizei essas rodas para dar forma ao que eu vinha pensando, coloquei-o sobre uma caixa de isopor amarela, com ferros de construção fincados nela atravessando-a de fora para dentro. É um instrumento para ser amplificado por contacto, pode ser percurtido, ou simplesmente girado, pois gera um harmônico na rotação.
3) Harpa Paleolítica (2013) instrumento de cordas, feito com bambu, cabaça, ferros rosqueados e cordas.
Em relação ao espaço e a intervenção sonora no espaço, destaco esses trabalhos:
1) «Defasagem» (1995) é uma composição para 6 pianos e prédio. Foi o primeiro trabalho em que lidei com uma estrutura ambiental, um misto de instalação, happening e performance em forma de composição. Os pianos ficavam dentro das salas de aula e o público do lado de fora do prédio.
2) «rio» (2013) feito em parceria com Fernando Ancil. Desde que cheguei a Belo Horizonte, fiquei espantado quando numa caminhada pelo centro descobri que debaixo das ruas há uma quantidade enorme de rios canalizados que, em meio aos sons do trânsito e da cidade, ficam quase apagados. Pode-se ver esses rios através de grades que ficam no asfalto, como clausuras, em que ao fundo se vê o vulto do córrego em movimento. São 150 km de córregos canalizados, escondidos da população e que só são percebidos pelas grades expostas no asfalto das ruas. Ao nos aproximarmos delas, o canto do rio timidamente transpõe seus limites, mas sua sonoridade é engolida pelo trânsito e outros sons da cidade. Passei a gravar esses sons, desde 2011 e, no final de 2013, propus ao artista visual Fernando Ancil pensarmos em viabilizar uma intervenção desses sons no quotidiano da cidade. Dessa forma, nos aproveitamos dos altifalantes já instalados para se fazer a difusão de áudio de uma feira na cidade. «rio» é uma intervenção urbana que usa os sons captados desses córregos canalizados, amplificando-os através do sistema de som instalado num trecho da Avenida Afonso Pena, que é uma das principais da capital mineira; são mais ou menos 60 altifalantes dispostos ao longo de aproximadamente 250 metros da avenida. O intuito foi criar um leito de rio audível sobreposto aos sons da cidade através de um transbordamento acústico.
3) «Sonoridades Visíveis» (desde 2012). Nesse caso a ideia é lidar com imagens que remetam para uma sonoridade. Utilizo o stencil com a imagem do corpo de uma cigarra, daqueles que encontramos nas árvores. Quando encontramos na árvore esse «corpo» é porque a cigarra já cantou, penso ser a memória do seu canto. Pois bem, grafito em postes, muros e paredes essa imagem, que não é da cigarra a cantar, mas sim é a memória da cigarra que por ali já cantou.
4) Capacetes para deriva sonora. Atualmente tenho construído capacetes sonoros, que são dispositivos de escuta ambiental. Cada capacete produz um tipo de filtragem e, portanto, possibilita uma escuta diferenciada. Essa alteração na escuta mobiliza os outros sentidos e acabamos por nos tornar todo um ouvido em movimento. Com esses capacetes tenho feito derivas sonoras pela cidade, com grupos pequenos em que cada qual se deixa levar pelos sons que mais o afecta. Tenho feito também na forma de um percurso em que de tempos em tempos o público troca de capacete. Dessa forma, a música está em quem escuta e da forma com a qual escuta.
A atuação e interação com esses emblemas e dispositivos sonoros fez resultar em algumas experiências composicionais e improvisacionais, das quais eu destaco:
1) Sonax: O Sonax é um grupo de investigação musical criado por mim e pelo Marcelo Bomfim em 2003 e, desde 2005, contamos também com o Nelson Pinton. Em 2008, lançámos pelo selo Creative Sources Record o CD que leva o nome do grupo, cuja proposta é Comunicação pré-palavra/devires e sons, interação do sujeito-ambiente com os sonoros-objetos, na construção/intervenção (mito)poética do espaço sonoro; trabalho de criação de esculturas musicais e intervenções sonoras com live electronic em espaços públicos e privados; performance utilizando objetos plásticos e sonoros criados de resíduos e vestígios da sociedade contemporânea: caixas de madeira, tubos de PVC, sucatas, polias, molas, cordas e cravelhas. Na criação desses objetos as possibilidades de interatividade musical aliam-se à apreciação plástica. A performance é criada a partir do inventário dos fragmentos musicais extraídos das sessões de improvisação e interação com os objetos, com a manipulação desses sons eletroacusticamente e a relação dos mesmos com o espaço da apresentação.
2) Novelo Elétrico: Novelo Elétrico foi pensado como uma construção poética de espaços sonoros tendo como matriz a improvisação com instrumentos musicais não usuais, inventados e objetos situados entra a música e as artes visuais. A ideia surgiu a partir de dois desejos. Um deles foi o de dar um sentido ritualístico à prática, manter a hora e a forma de preparação, preparação da sala, do corpo, exercitar a respiração. O outro desejo foi o de realizar essa empreitada sozinho, de uma forma artesanal, dentro de casa e não de um estúdio e atuar como músico e técnico, na verdade entender tudo como uma coisa só. Dessa forma, eu mesmo gravei, toquei, editei e fiz a mixagem do trabalho. Somente a master não foi feita por mim, foi feita pelo Nelson, do Sonax.
O novelo é um emaranhado de fios que antecede a tecelagem, ou mesmo é posterior a ela, quando se organizam as sobras. Em princípio ele não é o objeto do fio, seu destino final, do ponto de vista do trabalho, mas se constitui como uma forma, um quase objeto, que sempre depende da maneira como é enrolado. Ascende ao estatuto de objeto-brinquedo pelo uso das crianças e felinos. Em cada um dos novelos a sala de gravação foi preparada de uma forma diferente, com os instrumentos a serem tocados espacializados e com os microfones posicionados. Um gravador digital ficava aberto para capturar os sons ambientais. Uma imagem pertinente ao processo é a do cinegrafista que posiciona a câmara para sair por trás dela e performar dentro do quadro filmado. Só que essa performance consistiu em fazer desprender dos objetos, sons que atuassem com os demais sons atuantes nesse campo sonoro.
Na improvisação geradora, todos os elementos presentes no campo audível da gravação foram incorporados e interagidos como elementos constituintes do fluxo musical, na constituição do espaço sonoro. Essa reunião de elementos espaçados temporalmente deu um sentido de profundidade ao campo; aliás, na improvisação, o espaço se constitui no decorrer do tempo. A improvisação inicial gravada, portanto convertida em áudio, já era um fio complexo e, como tal, foi esgarçado ao máximo de acordo com suas potencialidades. Essas potencialidades estavam dentro de um âmbito ligado ao tempo, ao gestual, à textura, à corporeidade, ao timbre, ao ruído, ao sentido de profundidade e a uma qualidade de ambiência. Penso que cada elemento sonoro foi levado ao seu extremo. Esse fio tornou-se novelo, e novelo pelo caráter artesanal do processo manual de feitura do trabalho, esse fio-áudio foi emaranhado, retorcido, enrolado numa forma de um novelo abstrato; transformado numa imagem-sonora mental, com elementos do espaço acústico da gravação e do entorno.
Cada novelo é um lugar inventado, um quase-objeto tridimensional, um espaço para ser ouvido e que é habitado pelos elementos que são performados e pelo corpo que performa e é apreendido na escuta como gesto. Se a música é um tempo dentro de um tempo, a ideia do novelo elétrico é que ele seja um espaço dentro do espaço da audição. O Novelo Elétrico foi lançado como CD, também pela Creative Sources, em 2014.
AG: Em que medida concebes esse conceito de política no âmbito de uma criação sonora na actualidade, e em que medida esse conceito se encontra ligado à noção ou conceito também de espaço sonoro?
MS: Eu penso que o som tem sempre uma implicação no espaço. Quando deflagrado, ele atua sobre o espaço emprestando-lhe o seu atributo de temporalidade e, ao mesmo tempo, se acomoda, se molda a ele, tomando-lhe emprestada sua dimensão e materialidade. A difusão de um som emana espaço que se sobrepõe ao espaço físico. Numa música os sons desprendidos atuam entre si e sobre o local, sobretudo criam um espaço a partir da interação entre essas sonoridades. Portanto, quando eu penso na construção e na percepção de um espaço sonoro, eu penso em como se apreende e como se pode constituir esse espaço através dos sons. Toda a criação sonora é para mim a criação de um campo espacial vinculado ao tempo e à interação entre as sonoridades dessa criação: intervalos, texturas, silêncio e gestos. E esses fatores implicam se espaço sonoro criado, experienciado e vivido, virá a ser contínuo, descontínuo ou fragmentado.
Dito isso, penso que o artista, quando cria algo, cria não só esse algo como também inventa um modo de fazê-lo e esse modo de fazê-lo fica impregnado na criação. Quando crio um emblema sonoro, um instrumento musical composto por fragmentos de objetos encontrados, retirados do seu contexto original para se construir algo novo, o que fica impregnado na criação é a possibilidade de que se faça e se pense um mundo em que os objetos possam continuamente trocar de função, de acordo o novo projeto. Cria-se a possibilidade de que se interrompa a cadeia de produção industrial para apenas usarmos o que já está fabricado, desmontando os objetos para dos seus fragmentos se inventar outras formas e coisas, com ou sem a funcionalidade primeira. O mesmo pode se dar com os conceitos e porque não com o próprio conceito de música. O conceito do que é música pode ser reformulado a cada novo projeto, a cada novo grupo que se constitui em torno da prática, do fazer musical.
Inventar um modo de fazer é também inventar um modo de estar e atuar no mundo e para mim isso é fazer política, um modo de organizar as ações, as percepções, o sensível num processo contínuo de troca, de partilha e de confronto. Quando falo da construção política do espaço sonoro, é que essa construção fica impregnada dos modos de organização das forças atuantes nesse espaço, ao mesmo tempo em que esse espaço sonoro inventa também um modo de organização da percepção e atuação nesse espaço. Penso também que o que está sempre em jogo é a transformação, por afecção, do público em uma comunidade de participantes que interrogam o próprio fazer artístico e para atuar também como criadores. A formação e ampliação dessa comunidade está na idéia de partilha dessas experiências e processos, e na contaminação por contato, seja em ambientes informais virtuais, como os nichos específicos das redes sociais, comunidades, grupos, ultrapassando esses limites, no investimento do próprio fazer artístico como experiência social, seja nas ruas ou nos espaços destinados a isso, e também nos ambientes formais, como na atuação na educação formal, escolas e universidades.
  

*Marco Scarassatti 

Artista sonoro, compositor e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marco Scarassatti (Campinas, 1971) desenvolve pesquisa e construção de esculturas, instalações e emblemas sonoros.
Mestre em Multimeios e Doutor em Educação, ambos pela Univesidade de Campinas, possui artigos publicados nas áreas de Trilha Sonora, Educação Musical, Improvisação e Curadoria em Música Contemporânea.
É colaborador na revista eletrônica portuguesa Jazz.pt e autor do livro Walter Smetak: O Alquimista dos Sons (Editora Perspectiva/SESC), publicado em 2008.
Criou e participa do grupo Sonax, com o qual gravou pelo selo europeu Creative Sources Records o CD Sonax (2009). É autor ainda dos CDs Walter Smetak: O Alquimista dos Sons (2008), Novelo Elétrico (2014), Rios Enclausurados (2015).
  
Entrevista por

terça-feira, 7 de julho de 2015

Artes / Bucólica

3 leituras)
Miguel Torga
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.


Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=427 © Luso-Poem
TAL
                                           Miguel Torga, Bucólica

Maria Barroso



A monarquia e os objetivos comuns à democracia



O desenho estrutural da nossa política resulta em frequentes irresoluções, dilações e retornos. Por um lado, as reformas e as regulações não têm sido nem ágeis, nem atempadas, nem faseadas de modo a suavizar alguns inconvenientes delas derivadas. Por outro lado, sem a perspetiva do longo prazo, o custo da mudança é maximizado e a eficácia política é minimizada, e, enquanto os recursos e as circunstâncias oscilam, os objetivos sociais são dispersados.
É necessário adicionar na nossa sociedade um eixo institucional favorável ao consenso estratégico, sem o qual a recuperação económica, o reforço da produção para a transação, a abertura externa e a modernização, a orientação do investimento público para o aumento da produtividade, a produção de pensamento estratégico, tão determinantes para o bem comum, oscilam, definham e se perdem.

Transformações positivas procedem por incorporação e não por exclusão I


Importa explicitar com clareza que se encontram perante as gerações presentes opções políticas fundamentais. Todos convergimos que o problema fundamental, que nos tem preocupado a todos, é político. É necessária uma democracia aprofundada, eficaz e credível, no que se refere à representação da nossa unidade, no que se refere à construção de alternativas e consensos políticos e no que se refere ao pensamento estratégico (proporcionando a constante abertura de oportunidades de realização social, ambiental e económica). Antes de ser esta uma crise financeira e económica, estamos ainda mais profundamente inseridos numa crise da sociedade que vivemos e da política que temos praticado.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Uma república I sem brandos costumes (com Mendo C. Henriques)

 





ExCertos

Estocolmo

«(...) existem países de "esquerda" que são muito desenvolvidos, por exemplo a Dinamarca e a Suécia», ou seja, monarquias...
 

do Observador

sábado, 4 de julho de 2015

A república I sem brandos costumes



Primeiro Ministro indigitado 

assassinado na sua chegada a Lisboa





Just when peace and calm had apparently been restored in Portugal, a grave event has occurred that will probably  have a disastrous effect on the situation. A telegram from Lisbon received this evening [May 17] states that Senhor Chagas, the new Prime Minister, was shot at and seriously wounded by Senator João José de Freitas. Senhor Chagas had just arrived at the Entroncamento railway station, coming from Oporto to take possession of  the Premiership. A large gathering was on the platform to meet him, and while shaking hands with and receiving the congratulations of his friends, Senhor Freitas broke through and fired several revolver shots at the new Premier. A struggle ensued and gendarmes fired on the assassin who was killed on the spot. Senhor Chagas was taken to hospital in a dying condition. It is feared, as  a result of this tragedy, that the trouble may recommence. There are already signs of a fresh outbreak.
                 The New York Herald, European Edition, May 18, 1915
Correction: June 4, 2015
An article in the “In Our Pages” column on May 18, recalling the shooting of the Portuguese primes minister in 1915, misspelled the name of the senator who shot Senhor Chagas. He was João José de Freitas not Senator Jean Freilas. The error was recently brought to light by a reader.

The structure guarantees it (???)

«The damned lies and liars and statistics that come with all this are merely the cherry on the euro cake. It’s done. Stick a fork in it. The smaller, poorer, countries in the eurozone need to get out while they can, and as fast as they can, or they will find themselves saddled with ever more losses of the richer nations as the euro falls apart. The structure guarantees it.»

Uma república III sem brandos costumes

Expetativa


Realidade


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Uma república II sem brandos costumes



Aqui

                                                                                                   Helena Matos e Iolanda Ferreira
Helena Matos e Iolanda Ferreira

Uma republica sem brandos costumes



A primeira República não teve uma vida fácil com mais de 40 governos nomeados em cerca de 16 anos. De resto assistiu-se a um pouco de tudo com Portugal a mostrar que não era um país de brandos costumes.

Intrigas, traições, massacres, intentonas revolucionárias, prisões, atentados a tiro ou à bomba, manifestações, assassinatos, confrontos e desacatos de toda a ordem. A primeira República teve um pouco de tudo isto e mais qualquer coisa.
O Governo que mais tempo se segurou na cadeira do poder aguentou pouco mais de 600 dias, e houve governos nomeados que nem tomaram posse por medo da reacção popular.
Uma confusão que desceu do Governo para a rua e que, antes da ditadura militar implementada em 1926, já conseguira gerar duas outras ditaduras que, por razões diferentes, pouco tempo se aguentaram na governação.
- See more at: http://ensina.rtp.pt/artigo/uma-republica-sem-brandos-costumes/#sthash.Dp9mNywt.dpuf

A primeira República não teve uma vida fácil com mais de 40 governos nomeados em cerca de 16 anos. De resto assistiu-se a um pouco de tudo com Portugal a mostrar que não era um país de brandos costumes.

Intrigas, traições, massacres, intentonas revolucionárias, prisões, atentados a tiro ou à bomba, manifestações, assassinatos, confrontos e desacatos de toda a ordem. A primeira República teve um pouco de tudo isto e mais qualquer coisa.
O Governo que mais tempo se segurou na cadeira do poder aguentou pouco mais de 600 dias, e houve governos nomeados que nem tomaram posse por medo da reacção popular.
Uma confusão que desceu do Governo para a rua e que, antes da ditadura militar implementada em 1926, já conseguira gerar duas outras ditaduras que, por razões diferentes, pouco tempo se aguentaram na governação.
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«A primeira República não teve uma vida fácil com mais de 40 governos nomeados em cerca de 16 anos. De resto assistiu-se a um pouco de tudo com Portugal a mostrar que não era um país de brandos costumes.

Intrigas, traições, massacres, intentonas revolucionárias, prisões, atentados a tiro ou à bomba, manifestações, assassinatos, confrontos e desacatos de toda a ordem. A primeira República teve um pouco de tudo isto e mais qualquer coisa.

O Governo que mais tempo se segurou na cadeira do poder aguentou pouco mais de 600 dias, e houve governos nomeados que nem tomaram posse por medo da reacção popular.

Uma confusão que desceu do Governo para a rua e que, antes da ditadura militar implementada em 1926, já conseguira gerar duas outras ditaduras que, por razões diferentes, pouco tempo se aguentaram na governação.
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                                                                                 Inês Forjaz


  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Inês Forjaz

  • A primeira República não teve uma vida fácil com mais de 40 governos nomeados em cerca de 16 anos. De resto assistiu-se a um pouco de tudo com Portugal a mostrar que não era um país de brandos costumes.

    Intrigas, traições, massacres, intentonas revolucionárias, prisões, atentados a tiro ou à bomba, manifestações, assassinatos, confrontos e desacatos de toda a ordem. A primeira República teve um pouco de tudo isto e mais qualquer coisa.
    O Governo que mais tempo se segurou na cadeira do poder aguentou pouco mais de 600 dias, e houve governos nomeados que nem tomaram posse por medo da reacção popular.
    Uma confusão que desceu do Governo para a rua e que, antes da ditadura militar implementada em 1926, já conseguira gerar duas outras ditaduras que, por razões diferentes, pouco tempo se aguentaram na governação.
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    A primeira República não teve uma vida fácil com mais de 40 governos nomeados em cerca de 16 anos. De resto assistiu-se a um pouco de tudo com Portugal a mostrar que não era um país de brandos costumes.

    Intrigas, traições, massacres, intentonas revolucionárias, prisões, atentados a tiro ou à bomba, manifestações, assassinatos, confrontos e desacatos de toda a ordem. A primeira República teve um pouco de tudo isto e mais qualquer coisa.
    O Governo que mais tempo se segurou na cadeira do poder aguentou pouco mais de 600 dias, e houve governos nomeados que nem tomaram posse por medo da reacção popular.
    Uma confusão que desceu do Governo para a rua e que, antes da ditadura militar implementada em 1926, já conseguira gerar duas outras ditaduras que, por razões diferentes, pouco tempo se aguentaram na governação.
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    Intrigas, traições, massacres, intentonas revolucionárias, prisões, atentados a tiro ou à bomba, manifestações, assassinatos, confrontos e desacatos de toda a ordem. A primeira República teve um pouco de tudo isto e mais qualquer coisa.
    O Governo que mais tempo se segurou na cadeira do poder aguentou pouco mais de 600 dias, e houve governos nomeados que nem tomaram posse por medo da reacção popular.
    Uma confusão que desceu do Governo para a rua e que, antes da ditadura militar implementada em 1926, já conseguira gerar duas outras ditaduras que, por razões diferentes, pouco tempo se aguentaram na governação.
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  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Inês Forjaz
  • ExCertos

    António Borges Coelho
    «(...) a resistência dos Açores aos Filipes durante três anos é conhecida, mas praticamente poucos portugueses, excepto os açorianos, terão consciência disso. Foi uma resistência terrível.»
                                                   

    quarta-feira, 1 de julho de 2015