"Passeava havia meia hora pelo
bosque, subindo sempre. Estava cada vez mais frio. O vento agitava de
quando em quando os ramos mais altos das árvores, depois parava.
Tinham passado a zona dos cedros que estendiam os braços por cima do
bosque. Este tornava-se cada vez mais denso à medida que se
aproximavam do cimo. Depois, num cotovelo do caminho, avistaram a
cruz: Cruz Alta.
Avistava-se de todos os lados uma paisagem que se estendia até muito longe. Para o poente, no horizonte, das montanhas começavam a confundir os seus contornos. Mais perto distinguiam-se ainda vales e clareiras, inúmeros caminhos, campos lavrados vermelhos, castanhos, cor de casca de árvore.
- Vamos até lá cima - propôs Stefan.
Um velho, sentado sobre os degraus de pedra que levavam à cruz, afastou-se, saudando-os. Eles treparam, e lá em cima encostaram-se ao parapeito, dirigindo os olhos para Coimbra. Muito branco e sóbrio, o Convento de Santa Clara emergia, solitário, do oceano verde das colinas. O Mondego serpenteava através dos salgueiros chorões, dos choupos e dos plátanos e brilhava na distância.
Um grande pássaro voava por cima deles. Volteou por uns instantes, quase sem bater as asas, depois deixou-se deslizar na direção do vale.
- Às vezes, quando estou a sonhar - contou Ileana - parece-me que estou em qualquer parte, perto de si, sobre uma montanha muito alta e que olho para baixo. Como agora... E um sonho como este, gostaria de o sonhar para sempre."
Avistava-se de todos os lados uma paisagem que se estendia até muito longe. Para o poente, no horizonte, das montanhas começavam a confundir os seus contornos. Mais perto distinguiam-se ainda vales e clareiras, inúmeros caminhos, campos lavrados vermelhos, castanhos, cor de casca de árvore.
- Vamos até lá cima - propôs Stefan.
Um velho, sentado sobre os degraus de pedra que levavam à cruz, afastou-se, saudando-os. Eles treparam, e lá em cima encostaram-se ao parapeito, dirigindo os olhos para Coimbra. Muito branco e sóbrio, o Convento de Santa Clara emergia, solitário, do oceano verde das colinas. O Mondego serpenteava através dos salgueiros chorões, dos choupos e dos plátanos e brilhava na distância.
Um grande pássaro voava por cima deles. Volteou por uns instantes, quase sem bater as asas, depois deixou-se deslizar na direção do vale.
- Às vezes, quando estou a sonhar - contou Ileana - parece-me que estou em qualquer parte, perto de si, sobre uma montanha muito alta e que olho para baixo. Como agora... E um sonho como este, gostaria de o sonhar para sempre."
Micea Eliade, Bosque Proibido, 1963,
351 (trad. Maria Leonor Buesco)