terça-feira, 29 de julho de 2014

Mercados, investimentos e taxas


Engelbert Stockhammer

«Markets have proven to be unreliable means of guiding production decisions. Investment is needed in areas such as green technologies, housing, child care and education. In a recession much of that should be deficit-financed to stimulate demand, but there are also areas where taxation should be increased to guarantee a fair system. Multinational corporations presently avoid taxation by transferring profits to tax havens, many of them within the EU, like Luxembourg and Ireland. The super-rich park their wealth offshore to avoid paying their legal share. Like the financial transactions tax, these are all areas where a European initiative would be welcome.»

Relâmpagos no tempo

Miss Louisiana

Construção



Os objetivos sociais precedem as escolhas técnicas e os objetivos políticos precedem as questões económicas.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Da evolução do internacionalismo



(…) [Uso] o termo “patriotismo” num sentido vago de um sentimento comum de partilha a uma mesma comunidade com identidade histórica e nacional, linguística, cultural, territorial, que define fronteiras e interesses comuns e que pressupõe que esses interesses têm que ser defendidos num quadro de competição ou conflitualidade com outros interesses. É o sentimento de risco permanente, logo de defesa activa, dos interesses de uma comunidade nacional, que é o elemento dinâmico daquilo que se possa chamar patriotismo. (…) A chave deste processo de abandono da noção de Pátria (…) [acompanha] a evolução do internacionalismo” clássico da tradição comunista para um europeísmo”, muito evidente no Livre e em parte do Bloco. Por uma daquelas ironias em que a história é fértil, o PCP, perdida a referência internacionalista da URSS e do comunismo mundial, acaba por ser nos dias de hoje o mais patriótico dos partidos e aquele que mais resiste à deslocação dos centros de poder nacionais para o quadro europeu. 
                                                        JPP 
        

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A democracia requer restruturação


Vivemos em sociedades abertas e complexas. Se esta variada confluência cultural contribui para diminuir a pertença comunitária nos moldes tradicionais e nos contextos próximos de socialização, e se, paulatinamente, as estruturas tradicionais perdem representatividade, a democracia requer uma restruturação necessária para adequar-se e sobrelevar esta nova situação. Se a participação e a interação das pessoas com os vários grupos sociais já não é mediada pela tradição familiar, mas pela necessidade de realização pessoal, de objetivação social, e, se as instituições legitimadoras cada vez mais conflituam, apresenta-se-nos um vazio político para onde tem convergido o descontentamento. Contudo, tem sido este descontentamento incapaz de se formular em movimento político coerente e profundo temporalmente. Assim, a forma democrática requer uma alteração de modo a que a representatividade nacional, e especialmente a do todo nacional, se revejam numa cultura de fundo e numa instituição suficientemente abrangente que concite os objetivos comuns à democracia. Continuam a haver atributos definidores da cultura nacional: uma culinária que conjuga o ocidente com o oriente, uma língua com um grande leque fonético e semântico, uma história de quase 900 anos em liberdade política (o Reino de Portugal nunca foi assimilado ao Reino de Espanha), fronteiras geográficas bem definidas (à exceção de Olivença), uma literatura com fortes referências a esse campo ímpar de aprendizagem humana que é a história nacional, e enfim, capacidade de iniciativa pela emigração, pela nossa conjugação na CPLP e na UE, ou por, desde sempre e em todos os âmbitos havermos produzido novos conhecimentos relevantes ao mundo. Porém, não havendo lugar nesta complexa sociedade contemporânea para uma hegemonia de um grupo social, seja ele de carácter religioso ou de carácter político, a Instituição Real é, para a maior multiplicidade, a melhor coesão. A doença política e democrática a que temos assistido no seu larvar mostra-se sobretudo pelo alheamento cívico e pelo descontentamento assim expresso, pela perceção de perda de autogoverno e de força alternativa democrática (devido ao nosso exíguo leque de realismo político no parlamento nacional e devido à falta de realismo social de algumas medidas europeias). É decisiva pois a seguinte questão: “(...) que sentido tem a democracia portuguesa se os eleitores portugueses vão deixar de poder escolher quase tudo que é decisivo para o seu país e para as suas vidas?” JPP. Não acredito que os processos revolucionários tenham maior virtude que outros, por serem eivados de uma mística e carismas que a dura normalidade não os possua. Entendo, pois, que as grandes transformações são aquelas que se fazem por incorporação e não por exclusão.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Múltiplo


As vias multiplicaram-se, já não existem caminhos únicos. Temos a liberdade de assumir os nossos valores e inventar novos. (...) A perplexidade surge quando decobrimos incoerências e contradições ou quando somos confrontados com um problema ao qual podem ser aplicados princípios conflituantes.
Mendo Henriques e Nazaré Barros in Olá, Consciência! 266

Poetry


Art Class

Let us begin with a simple line,
Drawn as a child would draw it,
To indicate the horizon,

More real than the real horizon,
Which is less than line,
Which is visible abstraction, a ratio.

The line ravishes the page with implications
Of white earth, white sky!

The horizon moves as we move,
Making us feel central.
But the horizon is an empty shell—

Strange radius whose center is peripheral.
As the horizon draws us on, withdrawing,
The line draws us in,

Requiring further lines,
Engendering curves, verticals, diagonals,
Urging shades, shapes, figures…

What should we place, in all good faith,
On the horizon? A stone?
An empty chair? A submarine?

Take your time. Take it easy.
The horizon will not stop abstracting us.

James Galvin in JPP

Seguem-se das palavras efeitos muito aproximados ao tencionado «igual a» credibilidade



«(...) [The]  increase in the euro's value against the dollar since 2011 had driven down the price of commodities such as fuel in euro terms, contributing to low inflation. (…) [The] central bank might take steps to encourage banks to lend more. (…) [Mario Draghi also] cited data showing that even profitable companies in (...) Portugal have trouble getting banks loans. (…) [One-third] of Portuguese companies face credit constraints, Mr Draghi said, compared with only 1 percent in Germany and Austria. (…) There has been speculation the European Central Bank might issue cheap loans to euro zone banks, with strings attached to ensure they lend the money to businesses rather than investing bonds, as that happened in the past.

 Jack Ewing(Sintra, Portugal), «E.C.B.seeks a strategy for staving off deflation», International New York Times, Tuesday, May 27, 2014, p.15


Pensamento e arte